CNPq, CAPES e FAPERJ: instituições de fomento à pesquisa estão com editais abertos

As instituições de fomento à pesquisa Conselho Nacional de Desenvolvimento e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) estão com diversos editais abertos para o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas.

No CNPq, são 5 os editais com inscrições abertas:

1 – Chamada Pública para Empreendimentos e soluções de base tecnológica na área de Grafeno, com inscrições até o dia 17 de julho de 2020;

2 – Chamada Pública para fomento a eventos e atividades de divulgação e popularização da ciência que visem contribuir significativamente para o desenvolvimento científico e tecnológico e para a inovação do Brasil, que tenham como tema a inteligência artificial, com inscrições até 22 de junho de 2020;

3 – Chamada para apoiar a realização de eventos de grande porte, com abrangência mundial, internacional ou nacional, que sejam relacionados à temática de CT&I e promovidos por sociedades ou associações científicas e/ou tecnológicas, com inscrições até 25 de junho de 2020;

4 – Seleção de instituições interessadas em participar do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (PIBITI), que disponibilizará 3.100 bolsas de iniciação tecnológica, com vigência de agosto de 2020 a julho de 2021. Para essa seleção, as inscrições se encerram em 08 de junho de 2020;

5 – Inscrição para o Prêmio José Reis de Divulgação Científica, na categoria “Jornalista em Ciência e Tecnologia”, na qual podem concorrer jornalistas profissionais que atuem na difusão da CT&I nos meios de comunicação de massa. As inscrições foram prorrogadas e encerram no dia 22 de maio de 2020.

Pela CAPES, há 1 edital aberto:

1 – Seleção das melhores teses de doutorado defendidas em 2019, através do Prêmio CAPES de Tese – Edição 2020, em cada uma das áreas de avaliação reconhecidas pela instituição. As inscrições encerram no dia 29 de maio de 2020.

Pela FAPERJ, estão abertos 3 editais:

1 – Chamada através de ação emergencial para projetos que visem o combate aos efeitos do covid-19, em parceria com o governo do Estado do Rio de Janeiro e a Secretaria de Estado de Saúde (SES). As chamadas são de fluxo contínuo, direcionadas à pesquisadores vinculados às Instituições de Ensino e Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro, startups, micro, pequenas e médias empresas.

2 – Chamada para selecionar projetos que apresentem ideias inovadoras na área de tecnologia digital, no âmbito do Programa “STARTUP RIO 2020: Apoio à Difusão de Ambiente de Inovação em Tecnologia Digital no Estado do Rio de Janeiro”. As inscrições se encerram no dia 29 de maio de 2020.

É importante ressaltar que a FAPERJ possui calendário anual de concessão de bolsas e auxílios, que pode ser consultado diretamente em seu site.

Arte e resgate da cultura através da experiência Cordel Urbano

A literatura de cordel faz parte da cultura popular brasileira, sendo utilizada para contar histórias valorizando o folclore, através de gravuras feitas em madeira, as xilogravuras, normalmente com versos ritmados. Fazer o resgate dessa cultura é também divulgar a riqueza da cultura brasileira, e é com essa proposta que surge o Cordel Urbano.

Essa experiência de Tecnologia Social, coordenada pela professora Dr. Renata Villanova, do departamento de Desenho Técnico da UFF, utiliza as premissas do design participativo e regenerativo, dando enfoque pra uma cultura e uma periferia que muitas vezes são esquecidas e invisibilizadas.

A partir de rodas de rima e poesia, realizadas por moradores do Morro do Palácio que trabalham no MACquinho, eram debatidos grupos de palavras, que viram poesias, rimas e raps, e que depois começam a virar as gravuras para a construção do cordel urbano, unindo o folclore à cultura urbana da comunidade.

Um dos desdobramentos da experiência é o projeto “Cordel do Palácio”, no qual a universidade olha através da visão do morador, e os alunos criam textos a partir de fotografias tiradas por Josemias, funcionário do MACquinho e morador da comunidade, que expõem a realidade local do Morro do Palácio. O projeto valoriza a diversidade das culturas e a importância de cada ator para o processo, promovendo um troca da leitura de mundo entre a universidade e os moradores da comunidade.

Os muros da universidade são abertos através da arte, da linguagem e do resgate do cordel, valorizando os atores locais, as suas vivências locais e transformando seu cotidiano e suas lutas em histórias e pinturas, de forma a articular os saberes locais com os saberes da universidade, promovendo um entrelace de culturas e conhecimento.A experiência de tecnologia social “Cordel Urbano” faz parte do Catálogo de Tecnologias Sociais de 2019, que você pode ler na íntegra aqui. E para conhecer mais sobre o trabalho que temos desenvolvido na Coordenação de Inovação e Tecnologias Sociais, acesse aqui.

Sustentabilidade e design no reaproveitamento de materiais

A partir de um processo produtivo artesanal-fabril, a Linha Cumbuca de Bioprodutos é uma experiência de tecnologia social que visa a inclusão da comunidade do Morro do Palácio (Niterói), através das atividades realizadas no MACquinho, com o conhecimento desenvolvido na universidade.

Essa experiência é criada por alunos e professores do curso de Desenho Industrial, da UFF, coordenada pelo professor dr. João Lutz, do departamento de Desenho Técnico da UFF, e leva em consideração as premissas do design participativo, unindo baixo-custo, produção de conhecimento e reaproveitamento de materiais, transformando sucata de papel em cumbucas funcionais e versáteis.

Unindo a ideia sustentável de reaproveitar materiais que antes iriam para o lixo, há também a promoção de integração entre os alunos da UFF e os alunos atendidos pelo MACquinho, realizando oficinas com papel, rodas de conversa e participando de feiras de ciência e tecnologia, expandindo o trabalho da universidade para além de seus muros.

As cumbucas são feitas de diferentes tamanhos, formas e cores, a partir da sucata de papel, que vira uma massa, que toma a forma final. O processo é simples e a luz do sol é o suficiente para a secagem das cumbucas, sendo posteriormente utilizada uma estufa que a equipe conseguiu devido às parcerias estabelecidas com outros departamentos da UFF, que se interessaram pelo trabalho.

Um dos desdobramentos da experiência é a confecção de troféus para o Engecine, uma oficina de curta-metragens realizada na Semana Acadêmica da universidade, o que demonstra o engajamento da comunidade acadêmica. E também o projeto “Projetando Palácios”, com a prerrogativa de projetar em conjunto com a comunidade do Morro do Palácio, entregando, de fato, um serviço para a sociedade.

A experiência de tecnologia social “Linha Cumbuca de Bioprodutos” faz parte do Catálogo de Tecnologias Sociais de 2019, que você pode ler na íntegra aqui. E para conhecer mais sobre o trabalho que temos desenvolvido na Coordenação de Inovação e Tecnologias Sociais, acesse aqui.

EPI Saúde: cuidando de quem cuida

Com a pandemia de covid-19 chegando ao Brasil e os hospitais cada vez mais cheios, com altas demandas de trabalho aos profissionais da saúde, e a facilidade de contágio do vírus, foi observado que muitos enfermeiros, médicos e outros profissionais da área acabavam por se contaminar no momento de retirada dos Equipamentos de Proteção Individual, os EPIs, como  luvas e máscaras descartáveis.

Esses equipamentos de proteção são fundamentais para que os profissionais possam exercer suas funções resguardando sua saúde, integridade física e segurança, e devem ser sempre utilizados da forma correta e por todo tempo de serviço, respeitando as instruções de cada tipo de equipamento.

Levando essa fragilidade em consideração, um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto de Ciência Biomédicas, uniu esforços para criar a plataforma EPI Saúde.

Nessa plataforma, busca-se reunir informações pertinentes sobre as melhores formas de atuação nesse momento de pandemia, de forma a reduzir o contágio dos profissionais de saúde, que precisam atuar na linha de frente no combate ao coronavírus. 

O site traz dicas de utilização dos equipamentos, melhor forma de realização do descarte, erros mais comuns, além de informações sobre o coronavírus. Funciona como uma plataforma de educação, que une os saberes da medicina e da tecnologia, de forma a difundir o conhecimento para salvar vidas.

Para conhecer mais sobre essa iniciativa, você pode acessar diretamente ao site do EPI Saúde.

Fonte: EPI Saúde

Editora da UFF disponibiliza 100 títulos para download gratuitamente

O período de pandemia e distanciamento social que estamos vivendo, que traz impacto à vida da sociedade de modo geral, incluindo os negócios, fez com que a loja física da EDUFF, localizada em Icaraí, no município de Niterói, também fosse fechada, respeitando a recomendação da prefeitura de Niterói e do governo do Estado do Rio de Janeiro. Com isso, as vendas na loja física e na loja online estão suspensas, mas isso não impede a EDUFF de continuar entregando cultura e ciência para a sociedade.

Pensando nisso, a Editora da Universidade Federal Fluminense (EDUFF) está disponibilizando, através de seu site, 100 livros de forma gratuita, em diversas áreas temáticas, para serem baixados em formato digital (PDF e/ou Epub).

De forma a continuar difundindo o conhecimento produzido pela sua comunidade acadêmica, acessando ao catálogo do site é possível encontrar coletâneas de pesquisas científicas, estudos historiográficos e etnografias diversas, como o clássico “A antropologia da academia: quando os índios somos nós”, do professor Dr. Roberto Kant de Lima, livro básico para ingressantes na graduação de Antropologia da UFF, e o irreverente “Esculhamba, mas não esculacha! – Uma etnografia dos usos urbanos dos trens da Central do Brasil”, importante publicação do professor Dr. Lenin  Pires, que levanta uma temática inédita sobre as dinâmicas dos trens do Rio de Janeiro.

Para ter acesso aos livros disponibilizados e também às demais publicações do EDUFF, basta ir até a página deles, clicando aqui.

Fonte: UFF Oficial

Participe da Marcha Virtual pela Ciência no Brasil

A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), aliada a diversas entidades e instituições de Ciência, Tecnologia e Inovação, estão unindo esforços para realizar a Marcha Virtual pela Ciência no Brasil, que acontece na próxima quinta-feira, dia 07 de maio. 

Durante todo o dia, serão realizadas atividades, como debates e palestras, com temas relacionados à pandemia do covid-19 e a importância da valorização da ciência para uma melhor educação da sociedade, levantando as dificuldades enfrentadas pelas universidades e instituições públicas com a redução de recursos para a ciência, mas que ainda assim continuam se mostrando como essenciais nas medidas de controle ao coronavírus.

A SBPC tem divulgado vídeos e depoimentos em suas redes sociais, feitos por pesquisadores, estudantes, professores e aliados na luta pela ciência, onde destacam a importância da ciência no enfrentamento da pandemia e destacam o trabalho que tem feito pela defesa da ciência.

Você pode participar da marcha virtual divulgando nas redes sociais, usando as hashtags #MarchaVirtualpelaCiência, #paCTopelavida e #fiqueEMCASAcomaciência no twitter, enviando seu depoimento (escrito ou em vídeo) através dos canais de comunicação da SBPC e assistindo às palestras e debates programadas para o dia.

A programação completa está disponível no site da SBPC, assim como todas as iniciativas que vem sido tomadas pela defesa de uma ciência de qualidade para todos. 

Participe! 

Fonte: Portal SBPC

Missão Urbana – Jogo de tabuleiro leva diversão de forma educativa às crianças

Crianças com Síndrome de Down e Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem passar por muitas dificuldades, relacionadas ao desenvolvimento dos seus sistemas cognitivos, motores e do próprio convívio social. Uma das formas de auxiliar a essas crianças é utilizando jogos, através de diversão e interação. O problema é que muitos jogos não são desenvolvidos levando em conta essas dificuldades. Pensando nisso, surge o jogo Missão Urbana.

O jogo é criado por Gabriel Teixeira, Gabriel Respeita, Victor Duarte e Victória Bragança, alunos da graduação de Desenho Industrial, do campus da UFF de Niterói, orientados pelo prof. Dr. Giuseppe Amado e prof. Dr. João Marcos Bittencourt, ambos do Departamento de Desenho Técnico, da Escola de Engenharia da UFF. Com visitas realizadas à Associação Fluminense de Reabilitação (AFR) de Niterói, no setor de Neuropsicopedagogia, e conversas com os terapeutas do local, os alunos entenderam que os jogos existentes não levavam em consideração essas dificuldades das crianças, e criaram o jogo Missão Urbana, pensando nessas lacunas que poderiam alcançar através da inclusão social alinhada à diversão.

A importância de criar um jogo de tabuleiro a partir da demanda dos outros, que nesse caso eram as crianças com Síndrome de Down e TEA, se mostra através dos resultados que eles conseguiram alcançar no tempo em que aplicaram o jogo, junto com as terapeutas da AFR, com as crianças atendidas pelo local. Foi possível observar o engajamento e a motivação das crianças ao brincarem, proporcionado aprendizado, independência e lazer ao mesmo tempo.

O tabuleiro do jogo é feito em duas peças, com papel e polietileno, pensando em jogos tradicionais, que se rasgam devido ao desgaste e ao material utilizado. Utiliza cores vivas, peças que imitam veículos, como carro, ônibus e bicicleta, que são os personagens do jogo. As crianças são incentivadas a percorrerem o caminho do tabuleiro, após sortearem um número jogando o dado, praticando ações descritas em suas cartas de comando, como “agir”, “desenhar”, “escrever” e “desafio”. A motivação vem das missões concluídas e das conquistas recebidas através de medalhas, que simbolizam bondade, agilidade, coragem e raciocínio.

Sendo confeccionado com materiais de baixo custo, com boa durabilidade, possibilidade de ser reaplicável em outros contextos e locais, o “Missão Urbana” leva autonomia para as crianças, que através de um jogo divertido, lúdico, interativo e de fácil manuseio, podem ter um auxílio ao seu desenvolvimento cognitivo e motor, sem deixar a diversão de lado.A experiência de tecnologia social “Missão Urbana” faz parte do Catálogo de Tecnologias Sociais de 2019, que você pode ler na íntegra aqui. E para conhecer mais sobre o trabalho que temos desenvolvido na Coordenação de Inovação e Tecnologias Sociais, acesse aqui.

Cartografia Social como instrumento de administração de conflitos e luta por direitos.

Há mais de quatro gerações ocupando o Quilombo da Fazenda Picinguaba, em Ubatuba, São Paulo, a comunidade quilombola trava disputas administrativas e judiciais por suas terras há dez anos com instituições de poder. A chegada do grupo de pesquisa Cartonomia ao território quilombola, utilizando técnicas, ferramentas e metodologias da Cartografia Social, é um marco importante para a administração desse conflito, incentivando a autogestão e autonomia territorial dessa comunidade. 

O grupo de pesquisa é coordenado pela prof. Drª. Mara Edilara, professora e coordenadora da licenciatura em Geografia, no campus da UFF de Angra dos Reis. A experiência de tecnologia social “Cartografia Social e Autogestão Territorial: a experiência cartográfica do Quilombo da Fazenda” surge em 2018, coordenada também pela professora Drª. Mara Edilara, com equipe interdisciplinar, pois é composta por alunos das graduações de Políticas Públicas, Pedagogia e Geografia. A experiência valoriza o saber tradicional da comunidade em questão, para que possa ser criada uma representação gráfica de sua realidade local, levando em consideração todo o modo de vida que existe no Quilombo da Fazenda.

Sendo a cartografia uma área temática da Geografia, que compreende o conjunto de estudos e técnicas para a elaboração cartográfica, a cartografia social é uma ferramenta e metodologia da Geografia, ao mesmo tempo que também é instrumento de luta, resistência e empoderamento dessa comunidade tradicional quilombola. 

Muitos mapas já tinham sido criados e expostos aos quilombolas, em meio às disputas administrativas e judiciais vividas, mas todos eles feitos a partir da perspectiva das instituições de poder, como a Fundação Florestal Fernandes e o Parque Nacional da Serra do Mar. A ideia era mudar a lógica utilizada, de um mapa criado “de cima para baixo” ou “de fora para dentro”, ou seja, das instituições de poder para o quilombo.

O processo cartográfico é feito no tempo dos quilombolas, a partir de sua mobilização, e abrange o resgate da história oral da comunidade, a partir de oficinas e trabalhos de campo, onde são levantados os conhecimentos que eles possuem sobre suas vidas, e é isso que possibilita a construção do mapa coletiva e colaborativamente, feito com os sujeitos da comunidade e para os sujeitos da comunidade, onde o papel da universidade funciona como de facilitadora da apropriação das técnicas, mas quem dita a necessidade e a história é o próprio povo.

Com pilares no desenvolvimento da autogestão da comunidade e da autonomia territorial, é valorizado o saber local, em vista da reprodução do espaço de vida, com ênfase na representação construída pelos quilombolas, de forma que se apropriem de suas histórias e de seus territórios, seus modos de vida e de produção, para que entendam, de fato, a disputa sobre o seu local e façam com que o mapa construído seja mais do que um papel, mas uma representação cartográfica da vida do quilombo.

A experiência de tecnologia social “Cartografia Social e Autogestão Territorial: a experiência cartográfica do Quilombo da Fazenda” faz parte do Catálogo de Tecnologias Sociais de 2019, que você pode ler na íntegra aqui. E para conhecer mais sobre o trabalho que temos desenvolvido na Coordenação de Inovação e Tecnologias Sociais, acesse aqui.

A gameficação como instrumento educativo para crianças e adolescentes

O “Jogo Educativo Colaborativo sobre Drogas de Abuso: PANE – Encontre a saída” é um jogo de tabuleiro, produto do trabalho do Núcleo de Pesquisa, Ensino, Divulgação e Extensão em Neurociências (NuPEDEN), do Instituto de Biologia da UFF, em Niterói. Utiliza conceitos e símbolos das Neurociências, de forma educativa, lúdica e com linguagem acessível, e busca contribuir, através da conscientização da população jovem sobre a ação de diferentes drogas de uso/abuso no sistema nervoso, para a melhoria da educação, da saúde pública e da qualidade de vida da população.

A professora Priscilla Oliveira Silva Bomfim, do Departamento de Neurobiologia da UFF, coordenadora do projeto, conta um pouco sobre o processo de construção do público-alvo do jogo, que é de crianças e adolescentes a partir dos 12 anos de idade. São levados em consideração dados da literatura e de entidades, como a UNESCO, que apontam a necessidade de se trabalhar a temática das drogas de abuso lícitas e ilícitas precocemente, e a grade curricular das escolas, que inserem noções sobre o sistema nervoso nessa faixa de idade.

A abordagem, através de um jogo, é pensada também como uma estratégia para o aprendizado, pois segundo Priscilla, “crianças e adolescentes, por natureza, gostam de brincar! E pra eles o “jogar” é como se estivessem “brincando”, para nós, professores e pesquisadores a “gameficação” do aprendizado envolve a aplicação das táticas de jogo, dentro de uma narrativa específica, para se atingir um objetivo que é aprender.”

“O uso/abuso de drogas é um dos maiores responsáveis pela evasão escolar no mundo todo. Se o aluno evade, leva consigo a possibilidade da melhora dos índices de desenvolvimento social.”, explica Priscilla. Para além de um jogo lúdico, interativo e educativo, o “Pane – encontre a saída” funciona como instrumento de conscientização social, incentivando o conhecimento e a reflexão crítica de crianças e adolescentes, para que compreendam o problema das drogas de maneira criativa, divertida e não proibitiva e/ou fiscalizatória.

Como etapa prospectiva, Priscilla conta que a ideia é tornar o jogo um material de pesquisa, e para que isso possa ocorrer, aguarda o feedback do comitê de ética, para que possa obter autorização para coletar dados de acompanhamento das aplicações já feitas com o jogo.

“Pesquisa é coisa séria, e com humanos, especialmente nessa faixa etária, precisamos agir com muita atenção e responsabilidade de forma a ter um impacto positivo sobre elas. Eles ainda estão com o cérebro em formação, a adolescência agora vai até os 25 anos! O cérebro é muito plástico e suscetível à modificações que vem do ambiente.”, explica a coordenadora.

Os resultados obtidos, até então, vem em forma de agradecimento dos alunos que participaram do jogo.

“Temos relato de uma aluna, de uma escola pública cercada por cinco comunidades, que nos disse que depois do contato com o jogo compreendeu o quanto é importante entender a ação das drogas no cérebro e que deseja cursar enfermagem na UFF,  e criar, futuramente, um programa de conscientização na sua comunidade para alertar crianças, quando se graduar enfermeira”, compartilha Priscilla.

Como um material de inovação científica, o “Jogo Educativo Colaborativo sobre Drogas de Abuso: PANE – Encontre a saída” também serve como instrumento de divulgação do trabalho que pesquisadores, professores e alunos das universidades públicas são capazes de produzir, levando em conta as demandas da sociedade. Através das redes sociais, são divulgados conteúdos sobre Neurociência, relacionados às drogas e à cultura pop. Para saber mais, você pode visitar as páginas deles, no Facebook e Instagram.

Além disso, para conhecer mais sobre o “Jogo Educativo Colaborativo sobre Drogas de Abuso: PANE – Encontre a saída” assim como as demais experiências de Tecnologias Sociais da UFF, você também pode acessar o nosso catálogo, clicando aqui.

Replicadores de cuidados: a sensibilização do futuro profissional acerca do abuso sexual

A experiência “Replicadores de cuidados: a sensibilização do futuro profissional acerca do abuso sexual” é realizada desde 2017, no Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional (ESR) da UFF, em Campos dos Goytacazes. É uma proposta metodológica em formato de curso, estruturado com rodas de conversa e técnicas de sensibilização sobre o tema do abuso sexual infantil. Com o objetivo de sensibilizar e capacitar o futuro docente ou psicólogo para o enfrentamento da violência sexual, já formou 100 alunos.

A professora Andréa Soutto Mayor, do Departamento de Psicologia de Campos (CPS) da UFF, coordenadora do projeto, destaca os impactos intensos vividos pelos alunos que participaram do curso e pela equipe organizadora, a partir do contato com as próprias concepções, que podem ser errôneas e excludentes, a respeito do Assédio Sexual Infantil. Andréa explica que

“A percepção sobre a intensidade do sofrimento das vítimas do ASI (Assédio Sexual Infantil) possibilita a construção de um olhar mais empático e humanizado sobre o outro, reconhecendo também a dificuldade nesse processo de identificação.” 

Como conta Camila Bahia, graduanda em Psicologia pela UFF e bolsista do projeto, a experiência de participar da organização e realização do curso de “Replicadores de cuidados” supera as expectativas e recebe feedbacks muito positivos dos participantes:

“Foram muitas semanas de preparação, que culminaram nas aulas, onde todos da equipe tiveram algum espaço de protagonismo. Durante os encontros, não só o conteúdo técnico apresentado, mas a troca de experiências e opiniões enriqueceram o debate fomentado.”

Tratar sobre o tema do Abuso Sexual Infantil envolve tabus e desconhecimento. Na primeira fase do projeto, foi estimulado o pensamento crítico e a separação entre dados científicos e senso comum, o que se mostra essencial para uma maior articulação do grupo, contribui Rosa Cristina, mestranda em Cognição e Linguagem pela UENF e também bolsista do projeto.

Os encontros de sensibilização, na segunda parte do projeto, são capazes de promover um diálogo interdisciplinar e o contato com realidades que podem estar distantes do ambiente acadêmico, destaca Rosa Cristina:

“Acredito que tanto os ouvintes quanto os participantes puderam aprofundar o conhecimento sobre o tema e também ampliar as possibilidades de enfrentamento nos casos de ASI (Assédio Sexual Infantil).”

Para além dos impactos que o projeto pode causar na sociedade construindo uma rede de ação no embate com o Assédio Sexual Infantil, as bolsistas do projeto destacam também a importância de suas próprias sensibilizações acerca do tema, servindo como fonte de inspiração para o desenvolvimento acadêmico, de habilidades de pesquisa científica e na superação de inseguranças pessoais.

A equipe organizadora, composta pela professora e pelas bolsistas, se disponibiliza para contato com os alunos em caso de dúvidas, além de compartilhar informações sobre as instituições públicas que prestam auxílio no caso de situações de abuso, finaliza Andréa.

A rede de Replicadores de cuidados busca o enfrentamento e o combate ao problema social do Abuso Sexual Infantil. A cada turma formada, mais profissionais são capacitados a lidar com essa questão tão delicada e importante, para que possam construir uma rede de apoio e diálogo às crianças e adolescentes que são vítimas de violência sexual, e também que possam atuar no combate à violência, para que outras crianças não sejam vítimas de Abuso Sexual Infantil.

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